Especial: As Bandas de Plástico – Parte 1


Olá pessoal, hoje começa uma série de posts especiais sobre um dos vícios atuais da humanidade, OS GAMES MÚSICAIS, onde quebramos guitarras de plástico até dizer chega, onde imaginamos ser verdadeiras estrelas do rock e muito mais. Esses posts foram escritos pelo ilustre Flávio Bonfiglio (obrigado pela contribuição meu caro), cidadão ultra jogador de Guitar Hero/Rock Bands da vida que manja muito do assunto.

Confira a primeira parte desse especial abaixo e visite o passado, presente e futuro desse fenômeno da indústria dos games dos tempos atuais.

Mais quem é o Flávio Bonfiglio?

Formação: ex-estudante de Letras, futuro estudante de Jornalismo
Da onde é? Porto Alegre – RS
Profissão: Professor de Inglês

Minha relação com os jogos: Desde os 6 anos de idade, passando por muitos consoles (lutei na trincheira da SEGA nos anos 90 só pra constar). Os jogos musicais me deram oportunidade para um escapismo sem igual compensando minha falta de talento com um instrumento de verdade. Amigos foram feitos, histórias loucas surgiram e desde então posso orgulhosamente dizer que a minha vida gamer (e eu achava que já tinha visto bastante coisa) se definiu como AG / DG (antes da guitarrinha / depois da guitarrinha).

PARTE 1 – O início de tudo

Nos anos 90, conforme os grandes arcades (fliperamas) vão perdendo cada vez mais espaço para videogames que reproduziam fielmente a experiência em casa, os varejistas do ramo foram atrás de alternativas para atrair o público, que andava cada vez mais minguado. Diante de tal situação foram criados as mais diversas (e algumas bizarras e, na maioria dos casos fracassadas) alternativas de jogo operado por ficha.

Boong-Ga Boong-Ga, lançado somente no Japão (por que será?…) Simulador de toque retal.

É aí que entram os chamados “Jogos de Ritmo” ou jogos musicais, como preferirem. A primeira grande bola dentro dessa história toda são os jogos de dança da série Dance Dance Revolution, da Konami, que tomam de assalto o mercado oriental e fazem muito sucesso com suas quase centenas de versões e atualizações. Mais tarde a empresa coreana ANDAMIRO lança o que viria a ser o mais conhecido em terras tupiniquins. O jogo “Pump it Up”, também de dança, tinha milhões de versões, tudo cambiável no sistema interno da máquina, o que permitia até algums “romhacks”, com muitos Shopping Centers disponibilizando máquinas com músicas brasileiras pro pessoal dançar, por exemplo. O visual cartunesco puxado pro Anime e Mangá, bastante colorido e rico (versus os gráficos 3D e datados do Dance Dance Revolution) atingiram em cheio a nova geração da classe média brasileira e fazem até hoje Otakus e viciados pela cultura oriental se reunirem religiosamente em volta dessas máquinas para disputarem torneios, tirar um contra ou só se exibirem mesmo.

Acima, arcade de DrumMania, controle para consoles do BeatMania, arcade de Guitar Freaks e o popularíssimo Pump it Up

Paralelamente, a Konami, junto com a empresa RedOctane desenvolve o que viria a ser o pai de todos os jogos de “guitarra”, chamado GUITAR FREAKS nos arcades. Ele até fez relativo sucesso em terras japonesas, mas não tinha apelo ocidental, pelo fato de disponibilizar apenas setlists do sol nascente (J-Pop ou J-Rock) e covers mais pra lá do que pra cá de músicas famosas. A Konami também desenvolveu um jogo simulação de bateria chamado DrumMania e outro que fazia você brincar de DJ, chamado BeatMania (esse, bastante diferente do mais recente DJ Hero, sendo mais um simulador de teclado) e um simulador de teclado propriamente dito, chamado KeyboardMania (este com 24 botões!)

Com a experiência da RedOctane no ramo de desenvolvimento de Hardware, eles se juntaram aos desenvolvedores da Harmonix (que tinham experiência em jogos musicais pra consoles como Karaoke Revolution) para criar o primeiro Guitar Hero, em 2005. Exclusivo do Playstation 2, ele vinha em um bundle que continha o jogo mais uma guitarra, uma réplica da famosa Gibson SG em preto e branco. A guitarra era robusta e aguentava o tranco do público mais “exigente”. O jogo em si era um primor. Gráficos bonitos pra época, uma jogabilidade simples porém desafiadora, uma linha de evolução extremamente balanceada, que respeitava o jogador conforme ele fosse evoluindo naturalmente com o instrumento (e passando das fases, que consistiam em grupos de músicas a serem batidas) e uma setlist icônica, com músicas memoráveis (daquelas que fazem você ficar cantarolando sozinho) deu retorno garantido a um jogo que foi orçado em apenas US$1 milhão (contando com o “convênio” da Gibson, esse que duraria até o terceiro jogo)

Bundle do primeiro Guitar Hero. Ousadia que deu certo.

Claro que nem tudo são flores. O baixo orçamento não permitiu a Harmonix/RedOctane em usar as gravações master das músicas, tendo que apelar novamente para os covers (como já faziam desde os tempos de Karaoke Revolution), porém o conteúdo extra do jogo, que mostra em vídeos como tudo foi feito, faz você até sentir um certo carisma pelos responsáveis da criação dos covers (funcionários da Harmonix). O guitarrista Marcus Henderson, que reproduz com fidelidade robótica o solo final de “Bark at the Moon”, me vem em mente.

No Brasil, a primeira versão do Guitar Hero ficou restringida aos circuitos mais “underground”, com um nicho de consumo (ou de download, se preferir) aos aficionados por Rock e Metal (como eu), que aproveitavam do jogo usando o Dual Shock mesmo. Eu mesmo usei um Dual Shock por quase um ano antes de comprar uma Gibson SG de barbada no eBay na época, por não mais de 30 dólares (incluindo frete!).

Hinos do rock, horas de diversão, tendinites… O caminho no ocidente estava aberto para que os jogos musicais tomassem a forma que tomaram e a importância que tiveram na nossa formação gamer recente.

A segunda parte você confere amanhã. Fiquem Ligados…

E o deixadenErDice agradece ao Flávio por essa colaboração sensacional para o blog.

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Categorias cultura pop, especial, games

Autor:Ed Lago

Game Designer da aQuiris game eXperience, fundador do deixadenerdice e seu melhor companheiro de desventuras.

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3 Comentários em “Especial: As Bandas de Plástico – Parte 1”

  1. Fabiano Bonfiglio
    02/06/2010 às 16:51 #

    Acho bom tu colocar uma foto minha bem bonito na próxima parte da matéria.

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