Especial: As Bandas de Plástico – Parte 2


Continuando esse especial bem interessante sobre os games musicais, hoje temos a parte 2 dessa história.

Vamos lá continuar essa viagem bacana escrita pelo Flávio Bonfiglio.

PARTE 2 – A Consolidação da Idéia

Com o sucesso alcançado do primeiro Guitar Hero, era de esperar uma seqüência atualizada, com refinamentos na jogabilidade e modos novos, e foi exatamente o que a RedOctane / Harmonix nos ofereceu em Novembro de 2006 com o Guitar Hero 2, a princípio apenas para PS2, mas que posteriormente foi lançado para Xbox 360 em 2007 com gráficos melhorados e conteúdo extra (e, naturalmente, suporte a download de músicas extras).

À esquerda, versão do PS2. À direita, versão do X360. Notem os efeitos de sombra.

Com o crédito do dever bem cumprido do ano anterior e mais dinheiro em caixa, os desenvolvedores não tiveram tanta dificuldade em incluir músicas de artistas consagrados, ao provar com o primeiro jogo, que não haveria nenhum tipo de “corrupção da arte” ou alteração substancial nas obras musicais, e também pela oportunidade de divulgação e mais grana pros artistas e gravadoras, é óbvio.

Tecnicamente superior ao seu antecessor, o Guitar Hero 2 permitia, além de um aprofundamento nos modos “versus”, um maravilhoso modo cooperativo onde um jogador fazia a guitarra-base e o outro fazia a guitarra-solo ou baixo dependendo da música, garantindo uma experiência bem mais imersiva. Os gráficos eram superiores, os personagens estavam em maior número e a apresentação geral do jogo era mais caprichada. A jogabilidade foi refinada ao ponto de se ficar mais fácil de se tocar, porém as “tabs” das músicas eram bem mais desafiadoras e loucas.

O jogo vinha sozinho ou em um Bundle que incluía jogo + Gibson SG, essa na cor cereja e feita num material mais áspero e robusto. Uma guitarra melhor acabada no geral (lembrando que ambas guitarras, inclusive a Gibson X-plorer que vinha no jogo pra Xbox 360, eram com fio).

O novo Bundle, com a Gibson SG Cherry e uma cartela de adesivos extremamente bagaceira!

O trunfo do Guitar Hero 2 era uma setlist quase tão icônica quanto do seu antecessor, com clássicos a dar com pau, ou se não era clássico, era algo no mínimo interessante de se tocar. Também não se via tantos covers e algumas músicas já continham as trilhas originais dos artistas. Até hoje Sweet Child’ O Mine, clássico do Guns ‘N Roses que estava na setlist, não foi lançada pros jogos contemporâneos nem como DLC, tornando o Guitar Hero 2 de certa forma único.

O ponto negativo dessa versão era justamente tentar esfregar todo o poder da engine na cara do jogador, colocando músicas desafiadoras demais pro público novato, inclusive nas primeiras fases do jogo, não sendo tão equilibrado quanto a primeira versão. O jogo não respeita a curva de aprendizado e deixa no ar uma sensação de relaxamento, empolgação ou, simplesmente, descuido dos desenvolvedores.

É com essa versão que surgem os primeiros vídeos de “façanhas” no YouTube, com jogadores se superando uns aos outros pelos melhores recordes e streaks. Isso ajudou na popularização do jogo, dado o fato dos leigos irem atrás dos vídeos por acharem aqueles milhões de notas sendo apagadas algo legal (e posteriormente entrarem em contato com o jogo em si).

E o Guitar Hero vira febre ao redor do mundo.

No Brasil ainda não há popularidade suficiente para chamar a franquia de um dos Top 10 mais procurados na época. 99% dos jogadores ainda usavam do Dual Shock para jogarem o jogo baixado da Internet, porém pelo fato das músicas serem mais desafiadoras e os modos versus serem mais aprimorados, começam a formar-se os primeiros “encontros de Guitar Hero”, campeonatos bastante restritos é verdade, mas que pavimentariam a popularidade avassaladora da terceira versão.

Em números, Guitar Hero 2 ainda em 2006 foi o quinto jogo mais vendido do ano, com 1.3 milhões de unidades, ficando atrás apenas de “powerhouses” como Gears of War e Kingdom Hearts 2. Só por aí já se tem uma idéia de que houve, de fato, uma consolidação da idéia.

Amanhã você confere a parte 3 desse especial.

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Categorias cultura pop, especial, games

Autor:Ed Lago

Game Designer da aQuiris game eXperience, fundador do deixadenerdice e seu melhor companheiro de desventuras.

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