
E hoje chegamos a parte 3 desse especial que está sendo escrito pelo Flávio Bonfiglio, vamos acompanhar mais um pouco da saga Guitar Hero e se preparar para os novos tempos e a concorrência que essa serie enfrentou e está enfrentando até hoje, vamos nessa.
PARTE 3: Novos horizontes.
Durante o próprio ano de 2006, a RedOctane que então co-desenvolvia a franquia Guitar Hero com a Harmonix é adquirida pela Activision por US$100 milhões. Os executivos na época propunham “novos horizontes” para os jogos musicais e, com um monstro de divulgação que é a Activision isso não seria muito difícil.
Guitar Hero 3 – Legends of Rock foi pioneiro em vários aspectos. Trouxe astros do Rock da vida real como personagens disponíveis (Slash, ex-Guns e Tom Morello do Rage Against the Machine e Audioslave). Foi o primeiro a desenvolver batalhas contra “chefes” no modo Single Player (com destaque pra luta com o próprio Diabo no final do jogo, tocando uma versão Metal de “The Devil Went Down to Georgia”, parodiando de certa forma a lenda de artistas venderem a alma pro próprio).
Slash, vendendo o jogo que conta com ele na capa. Jogada de marketing de peixe grande.
Também é o primeiro a ser lançado para PS3, assim como pra vários outros sistemas (incluindo celulares e PC) e o primeiro a lançar um Bundle com guitarras sem fio e o primeiro a trabalhar mais a sério com DLC, tendo como grande vitória um lançamento simultâneo do aguardadíssimo álbum Death Magnetic do Metallica em CD e DLC para o jogo (olha o dedo da Activision aí!).
NOTA: Sei que na época já existiam as versões pra DS, porém eu particularmente pouco conheço das mesmas e agradeceria contribuições!
Sem a parceria da Harmonix, a engine do jogo teria que ser reescrita do 0, e a Neversoft foi a responsável pelo desenvolvimento do software enquanto a RedOctane se ocuparia do Hardware. O resultado final foi um jogo de gráficos medianos (já nivelando com a geração atual de consoles), com uma estética claramente influenciada pelos “Tony Hawks” lançados pela mesma Neversoft. A jogabilidade permitia solos ainda mais fáceis de serem executados. O design da nova guitarra foi baseado na lendária Gibson Les Paul, agora sem fio e com braço destacável para facilitar o transporte.
Novo corpo baseado na Les Paul, sem fio e destacável.
O primeiro indício que mostrava como todo o projeto tinha tomado maiores proporções é a redução de covers dentro do setlist, evidenciando um investimento muito maior nessa área. Também há um número bem maior de músicas dentro do setlist. Nas finanças a primeira semana de lançamento o GH3 vendeu mais de 1.4 milhão de cópias, fazendo girar mais de US$100 milhões e sendo um dos maiores lançamentos da história dos games (foi o primeiro jogo da história a girar mais de US$1 bi.)
Entretanto, o sucesso unânime obtido em vendas não era o mesmo das resenhas. No geral o jogo foi considerado bom, porém as críticas em relação ao desequilíbrio na dificuldade do jogo continuavam com ainda mais força. As tabs tinham tomado proporções monstras, tendo ordens de notas absurdamente difíceis de se acertar e frustrando o jogador novato (e não eram poucos). Alguns se beneficiaram de tal modo a tornarem-se celebridades no Youtube, como é o caso de iamchris4life entre outros jogadores que conseguiram completar a música Through the Fire and Flames da banda DragonForce (até então a tablatura mais absurdamente difícil de se completar) com 100% de acerto.
Outra característica que incomodava os gamers e amantes da boa música foram as escolhas infelizes para incluir no setlist. Ao invés de se manterem no porto seguro dos clássicos do Rock, resolveram investir em conteúdo mais contemporâneo para agradar as massas e aumentar as vendas (de novo Activision, doravante Activi$ion). Havia artistas do Britpop e do Metalcore americano em profusão, contradizendo o próprio subtítulo do jogo “Legends of Rock”.
Guitar Hero para todas as idades.
Também eram relatados problemas técnicos em relação ao hardware. Os contatos do braço destacável das guitarras se desgastavam com o tempo, forçando os gamers mais fanáticos em refazerem a solda de componentes. A grande maioria tinha dores de cabeça ao tentar entrar com o suporte técnico falho da Activi$ion / RedOctane, que já estava mais lotado do que o SUS.
Enfim, entre mais prós do que contras, a franquia provou que agora o mercado dos jogos musicais tinha tomado proporções respeitáveis aos olhos do mundo artístico e eletrônico. Ao mesmo tempo, a Harmonix, empresa restante da primeira parceria e desenvolvedora original das primeiras duas edições do Guitar Hero, estava mexendo seus pauzinhos para tomar seu lugar no panteão dos grandes do mundo dos games.
Fim da três primeiras partes.
Por enquanto vamos ficar por aqui nesse especial sobre games musicais, outras partes vão vir mais pra frente, a chegada do Rock Band no mercado, os milhares de Guitar Heros lançados em uma mesmo ano, Beatles The Rock Band, saturação do mercado e tudo mais, fiquem ligados que em breve vamos continuar essa história interessante do mercado de games…







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