Fala pessoal, nessa sexta que começa a copa do mundo, estamos trazendo para vocês mais uma parte do “Especial: As Bandas de Plástico” que está sendo escrito pelo ilustre Flávio Bonfiglio e se você não leu as outras partes do especial, é só conferir os links abaixo:
Especial: As Bandas de Plástico – Parte 1
Especial: As Bandas de Plástico – Parte 2
Especial: As Bandas de Plástico – Parte 3
E vamos ao que interessa? Parte 4 desse especial bem bacana e vale muito a pena parar para ler.
PARTE 4 – O OUTRO IMPÉRIO CONTRA-ATACA
Maio de 2007. Rock Band é anunciado pela Harmonix, empresa que havia desenvolvido os dois primeiros jogos da série Guitar Hero e que seis meses antes havia sido adquirida pela MTV Networks após a separação com a RedOctane e impossibilitada de desenvolver mais jogos pela série. O mundo dos games levanta as sombrancelhas, curioso ao pensar o quão longe iria uma idéia de multi-jogo com vários instrumentos. Seria muito caro? Seria uma furada?
A Harmonix junto com a generosa madrinha MTV não perdeu tempo e tratou de espalhar desde maio de 2007 pelos Estados Unidos “tour-buses” com kits demo para jogadores experimentarem a novidade pela primeira vez. Quiosques com o jogo e algumas músicas e instrumentos para demonstração estiveram disponíveis em grandes redes varejistas como a Best-Buy e Wal-Mart. A própria MTV se encarregou de produzir programas de TV alardeando o jogo que estava por vir.
Ainda falando na MTV, o simples fato de ela estar sendo fiadora do ambicioso projeto facilitou a procura por gravações originais de eventuais bandas a serem inclusas no produto final.
Um mês depois do grande lançamento de Guitar Hero III, Rock Band foi lançado em um “bundle” que incluía um microfone USB, uma guitarra réplica da mais que famosa Fender Stratocaster e uma bateria, que era até então a grande novidade do jogo. O preço de lançamento não era muito absurdo para os padrões norte-americanos e a enxurrada de resenhas babando pela novidade eram as mais positivas possíveis.
Capa do jogo que viria a ditar os novos rumos na indústria dos games. Rock Band foi um sucesso absoluto de crítica na época do seu lançamento
A Harmonix colhia os louros da glória após o forte baque do abandono da marca Guitar Hero, que fechou o ciclo de maneira questionável nas mãos dos mesmos, com o nada impressionante Guitar Hero – Rocks the 80’s.
Sim, a Harmonix ainda foi obrigada a produzir um Guitar Hero depois do desvinculo com a marca, por obrigações contratuais. O resultado foi um Guitar Hero 2 castrado , com menos personagens, menos cenários, menos músicas, menos tudo. Somando-se o fato de que esse “pacote de expansão” foi lançado na época por preço de jogo completo (US$50,00) e se dá a receita perfeita de como um jogo entrar rapidamente pro limbo.
Capa do jogo que não ditou merda nenhuma na indústria dos games. Salgado pro exigente consumidor americano, o jogo em si não era ruim, porém a comercialização de Guitar Hero Encore: Rocks the 80’s era quase uma afronta levando em conta seu conteúdo.
ASPECTOS TÉCNICOS: O QUE FAZIA ROCK BAND SER REALMENTE MELHOR.
1 – OS NOVOS INSTRUMENTOS: Que ampliaram o status dos jogos musicais para o que chamam hoje de “Party-games”, conceito bastante utilizado em jogos (principalmente para Wii), onde a interatividade entre dois ou mais jogadores é favorecida e estimulada. O jogo aproveitava do microfone da mesma forma que os jogos da série Karaokê Revolution pra PS2, ou seja, aproveitavam bem. A bateria era um primor no fator diversão e algo realmente desafiador pro pessoal mais expert;
2 – A CUSTOMIZAÇÃO DE PERSONAGENS: Algo exigido desde o lançamento de Guitar Hero II e um ponto a ser criticado no Guitar Hero III (a ausência do mesmo), Rock Band não trabalhava mais com um elenco fixo de personagens estereótipos como a série Guitar Hero, mas com uma ferramenta interna do jogo que te permitia criar o próprio Rock Star escolhendo detalhes como peças de roupa e estilos de cabelo, além do próprio físico, adquiridos com dinheiro do modo single player, que imitava uma turnê mundial. Falando nisso…
Ronald McDonald sendo produzido.
3 – O NOVO MODO SINGLE-PLAYER: Ou modo Band Tour, era algo diferente do que se tinha visto até então nos jogos de música. A cada cidade você tinha que fazer o nome da sua banda tocando as músicas de maneira satisfatória em lugares mais furrecas, para depois ter acesso a arenas e palcos mais sofisticados na mesma cidade. Desafios são lançados pelo próprio jogo entre as setlists, tornando a experiência bem mais aprofundada do que uma lista vertical de músicas a serem batidas progressivamente “ad infinitum” (fórmula presente nos três GH + GH80’s até então)
4 – O SUPORTE ONLINE: Desde sua incepção até a data de seu lançamento, Rock Band foi desenvolvido para ser não apenas um jogo que fosse tornar-se obsoleto quando outro posterior fosse apresentado, mas sim foi pensado como uma “Plataforma Musical”, que com o devido suporte, cresceria naturalmente. Até hoje, há uma regularidade religiosa semanal de novas músicas sendo disponibilizadas para compra (já passam de 1000), o que torna as possibilidades infinitas.
Loja in-game, generosa e bem organizada.
5 – UMA SETLIST AGRADÁVEL AO PALADAR E AOS DEDOS: Pelo fato de lidar não apenas com dois mas sim com 4 instrumentos, os desenvolvedores se certificaram de escolher músicas que favoreceriam o desempenho de todas as partes. As músicas icônicas estavam de volta (destaco We Won’t Get Fooled Again do The Who) e sorrisos eram mais abundantes nos rostos dos jogadores do que as cascatas de suor do GH3.
Claro que um lançamento deste tamanho teria seus contratempos. Quase todos envolvendo a bateria do jogo. O pedal era feito de um plástico chulé que quebrava facilmente. A própria Harmonix na época lançou pedais reforçados no mercado para a substituição e foi acusada pelos consumidores de ter premeditado a manobra, numa espécie de “compra casada”. Outro aspecto que incomodava bastante era o barulho que os pads da bateria faziam ao serem atacados, sem falar na fragilidade dos mesmos, que perdiam sensibilidade nos contatos.
Nossa barulhenta amiga, acompanhada do pedal de plástico ridiculamente frágil.
Contratempos à parte, o sucesso de Rock Band deu-se ao seu conjunto de inovações, que nivelariam por cima tudo que viesse depois dele, e é exatamente aí que o sapato da série Guitar Hero começa a apertar. Falaremos disso na próxima parte.
o deixadenErDice agrade mais uma vez ao Flávio e fiquem ligados que ainda tem muita coisa para acontecer e descobrir sobre “As Bandas de Plástico”.







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