
Fala pessoal, duas semanas se passaram e o N Design 2010 agora está nas lembranças de quem participou, hoje estamos aqui para trazer o relato de um grande amigo que foi encontrista nessa edição do evento, Rodrigo Grossini, ele aceitou o desafio de escrever um texto sobre o encontro e abaixo você confere a opinião dele sobre os acontecimentos.
N Percepções – Sobre N 2010

Nome: Rodrigo Grossini
Profissão/Faculdade: Desenhador Gráfico graduando pela UniRitter
Cidade/Estado: Porto Alegre/Rio Grande do Sul
Portfólio: www.desenhantes.com.br
Sexta-feira (30 de Julho), 18h30, trânsito entupido em Porto Alegre, Rock’n’Roll clássico no rádio pra não explodir e tempo de sobra pra conversar. Durante o papo sobre o N Design 2010 com o meu amigo Ed fui requisitado a escrever sobre o evento para o deixadenerdice e imediatamente aceitei o convite.
Tudo que for escrito aqui reflete apenas o meu ponto-de-vista e as minhas observações, procurando sempre entender todas as variáveis envolvidas para que as coisas aconteçam.
O N Design 2010 mostrou sua cara muito antes de acontecer. Pelo menos um ano antes do evento, expectativas já eram geradas devido a organização do time e pela qualidade da imagem que a CONDE conseguiu. Aqui fica o primeiro parabéns, pela força da assinatura visual que já deixava bem claro que a força do evento seria sua qualidade e organização. Sabemos que há muitos envolvidos em todo o processo e que um evento desse não nasce da noite para o dia e muito menos sem colaboração.
Dados os primeiros passos, toda a construção da idéia pode ser acompanhada pela internet via site oficial, informativos e vídeos produzidos pela turma da organização. Segundo parabéns pela vontade de inteirar os encontristas de tudo que estava acontecendo ou que iria acontecer.
Vídeo: N Momentos por @deixadenerdice
Toda a qualidade percebida e o potencial da organização fez com que o evento atraísse um grande número de interessados em participar. Falava-se em 5.000 participantes! Me corrijam se eu estiver errado, mas parece que foi quase isso, sendo confirmadas em torno de 4.800 inscrições. Um sucesso! E ao mesmo tempo uma enorme carga de responsabilidade principalmente para os 50 corajosos da CONDE que estavam na linha de frente do exército.
Aí o evento começou. Toda a expectativa ia se transformando em algo concreto a cada encontrista que saia do credenciamento com sua pulseirinha que simbolizava que todos faziam parte daquele grande momento que é o Encontro Nacional dos Estudantes de Design. Paralelo a isso acontecia o povoamento do alojamento, onde barracas e mais barracas iam sendo montadas na área coberta destinada a elas. Até que em determinado momento não houvesse mais espaço para novas barracas e ainda existissem muitas pessoas sem seu teto de tecido sintético montado.
Fazia calor, um sol bonito e o lugar descoberto era um bosque perfeito que parecia ser o lugar perfeito para acampar. E realmente era, mas acampamento em local descoberto exige um pouquinho mais do que entusiasmo e vontade. Exige preparo e uma observação bem pessimista das condições do tempo, tentando identificar onde uma barraca pode ser montada sem virar um submarino em caso de chuva. Mas lembrando, fazia sol e ninguém parecia se importar com isso. Aí veio a chuva e a euforia que era passar uma semana acampado no meio de um montão de gente legal começou a se transformar num desafio. A grama se transformou em lama e não só na área externa.
A área coberta não previa um sistema de escoamento eficiente da água e muita gente se deu mal com as piscinas de água e barro que se formaram dentro da estrutura de alojamento coberto que a organização garantiu por escrito que deixaria todos os encontristas livres dos problemas da chuva. Aí começou um dos grandes problemas do evento. Em momento algum acho que a CONDE agiu de ma fé e queria ver todo mundo se dando mal. Mas a estrutura de alojamento falhou. Do mesmo jeito que falhou em vários outros N’s. Isso é argumento suficiente para mim acreditar que a estrutura de alojamento tem que ser radicalmente repensada para os próximos N’s.
E se a essência da nossa profissão é a resolução de problemas, aí temos um prato cheio. Apesar de todos os problemas eu confesso ter ficado espantado com a quantidade de gente que desistiu muito fácil e foi embora pra sua casa. Ví ônibus inteiro indo embora no segundo dia de evento. Que isso minha gente?
Mas como o evento não é só feito do alojamento, vamos trocar o disco e falar das atividades. Como encontrista eu saí do evento satisfeito principalmente com os debates (mesmo que fossem mais parecidos com uma conversa de comadres) e com os Ligeirinhos (pequenas palestras). Foi muito bom assistir mestres como o Ary Rocha e Dijón de Moraes falando. Foi muito bom e surpreendente também escutar o professor Haroldo de Paula da PUCPR formado em filosofia que compartilhou com muita sabedoria alguns conhecimentos de vida com todos que estavam presentes no debate do dia 16/07/2010.
Com os Mergulhos confesso que não tive muita sorte. A percepção compartilhada com muitos outros encontristas foi de que algumas das pessoas estavam propondo atividades alí só para não pagar a inscrição tamanho o despreparo. Fica aqui o puxão de orelha também em todos os encontristas espertinhos que entravam nas atividades e permaneciam alí só até o momento em que as horas de participação eram registradas.
Aqueles que souberam lidar com todas as dificuldades e tiveram jogo de cintura com as adversidades com certeza aproveitaram ao máximo o que o evento proporcionou. Quando me questionam qual é a moral destes eventos eu sempre respondo que a maior qualidade de um N Design é a formação de uma geração. E essa geração é formada por gente de todo tipo. Há os que só estão ali pra se divertir, há os que estão ali só pra participar das atividades, os que caíram alí de pára-quedas, os que estão alí só para complicar, mas de um jeito ou de outro acredito que todos estão alí para crescer.
Estes encontros mudam o rumo da vida de muita gente. Vejam o exemplo do nosso amigo manauara dono deste blog que veio em um R Design aqui pelas bandas do sul em 2007 e agora mora aqui e até já solta a expressão “Bah!” de vez em quando. Só falta mesmo é gostar de tomar chimarrão.
Fico imaginando também como organizar um evento assim mexe com a vida de quem aceita diretamente o desafio: os membros da CONDE. Com certeza são aprendizados que vão ser levados para a vida toda destas pessoas. E se a opinião de um encontrista é válida para estes corajosos organizadores aí vai: O N 2010 foi um evento de muitos acertos e muitos erros também.
Assumir a responsabilidade sobre todos os erros e acertos quando nos comprometemos com algo é talvez o maior desafio. Estão de parabéns aqueles que conseguiram lidar com isto.
OBS: Galera que ficou puta da cara com a fumaça da churrasqueira no Bargh! dia 15/07, peço desculpas! Era meu aniversário e eu não podia deixar de compartilhar um churrasco com velhos e novos amigos.









Ótimo texto e ótima percepção.
Eu axo que a onda é tirar proveito de tudo.
Pq poxa… sair da sua cidade pra ir prum N e ficar só vende defeitos e erros naum rola.
Vamos acrescentar algo, aprender, trocar idéias, etc…
Teve N coisas boas nesse N ^^