O filme porta-voz de uma geração do ponto de vista de alguém que leu os quadrinhos.
por: Guilherme Zaffari
Tudo começou pelo logo da Universal renderizado em 16-Bits, surgindo com uma música igualmente “SuperNintendesca“. Alí já se pode ver o cuidado que o diretor Edgar Wright teve em transmitir o espírito da obra homônima do canadense Brian Lee O’Maley.
Quando me perguntaram sobre o que era Scott Pilgrim, eu respondi que era um quadrinhos muito louco e nerd sobre relacionamentos e a vida adulta, onde o escritor, sabiamente, pegava elementos de jogos de videogame como metáforas para descrever os dilemas pessoais do protagonista. Para as pessoas nascidas a partir dos anos 80, isso foi um golasso de placa – uma jogada de mestre. A isso se deve a popularidade da obra.
Obviamente, quando foi anunciado o filme, e quando saiu o primeiro trailer foi um ovação fantástica. Celebrávamos com o K.O. vindo direto dos jogos de Street Fighter, ou com o Ka-Ching dos jogos do Sonic. A expectativa era grande, mas a pergunta na cabeça de quem leu os quadrinhos, era: Será que o âmago da história será transposto para película imaculado? Resposta: Mais ou menos.
A alguns dias atrás me foi respondida essa pergunta. Sinto muito que não tenha sido no cinema devido à estúpida distribuição do filme nas terras tupiniquins. Lá estava o filme que trazia em carne e osso o personagem que carrega um pouco de todos nós, Scott Pilgrim, Interpretado por Michael Cera. O guri vacilão aquele de Superbad, lembra? Pois é. A escolha dele, por muitos, foi até odiada, mas o garoto fez a sua parte, interpretou dignamente uma das facetas do personagem, o Scott atrapalhado. Acredito que a predileção por ele como ator principal tenha vindo do diretor, que viu em Cera alguém que se enquadrasse no personagem e que trabalhasse do jeito que Wright estava acostumado, com aquele cinismo que Simon Peg e Nick Frost já haviam demosntrado em filmes como Hot Fuzz e Shawn of the Dead. Uma qualidade que deixou o Scott do filme bem crível e, mais importante, carismático.
O filme traz a mesma situação passada nos quadrinhos, Scott se apaixona por Ramona, aquela menina com visual alternativo que aparece nos sonhos dele, porém, para namorá-la, ele tem que derrotar a “Evil League of Ex-Boyfriends”, que nada mais é que a bagagem emocional que Ramona carrega dos 7 ex-namorados que ela teve antes de Scott.
As lutas são praticamente idênticas aos quadrinhos – todas muito hilárias e estilosas ao mesmo tempo. Os ângulos e os efeitos visuais ficam muito semelhantes aos recursos que os games e os mangás utilizam para expressar ação e movimento, tudo contribuindo para deixar a trama mais “épica”. Aliás, falando em trama, os 6 volumes dos quadrinhos tiveram que caber nos 112 minutos do filme.
Para isso, houve cortes que condensaram a trama e algumas adaptações de partes específicas ficaram deixando a desejar, do ponto de vista de quem leu os quadrinhos, mas o diretor soube, maestralmente, costurá-las de forma que somente os fãs mais observadores sentiram falta. O final, contudo, foi totalmente refeito. O que foi algo MUITO BOM.
O final dos quadrinhos, devo confessar, foi confuso e estranho, mas deu um encerramento à série. O final do filme foi muito mais crível e digerível (e co-assinado pelo criador da série), dando à experiência de Scott Pilgrim, a película, um cheirinho de novo que compensa os cortes e condesações do meio da trama.
Trailer do filme versão HQ:
Diferenças à parte, tanto quadrinhos quanto filme trataram de maneira divertida, indolor e sem ser doutrinadora, a luta que nós travamos com as situações da nossa vida e com nós mesmos para tornar-mo-nos pessoas bem resolvidas e felizes, e porque não, adultas.
Cinco sabres de luz.











bela opinião zaffari! esse filme nasceu para ser visto no cinema, pena que não vamos conseguir isso
Muito bom o comentário. Embora não conheça as hq’s originais, me identifiquei bastante com o filme e achei um entretenimento garantido! Pena msm que nem td mundo veja isso.
No meu caso vi Scott Pilgrim sem ter lido nada antes. Acredito que isso fez com que o filme tivesse um peso bem maior, nesse link abaixo fiz o upload de uma cena que literalmente me colocou naquele universo. Percebi ali as semlhanças com jogos e HQs e vi que aquela era acima de tudo a proposta do longa.
PS: Parabéns pelo blog, se puder me visitar no Clictec.wordpress.com eu agradeço.
Esse filme é cheio de cenas sensacionais, essa que vc fez o corte é muito boa tb. Obrigado por visitar nosso blog e o seu é muito bacana tb. Já coloquei aqui do lado nos links “nada” recomendados. auehae abraços
Obrigado Ed, vou colocar um link lá no Clictec!