POLÊMICA: Encontristas que não “entendem” os eventos


Faltando pouco mais de uma semana para a abertura dos encontros regionais de Design, o RDesign Caruaru, RDesign Franca e RDesign Goiânia, levanto um questionamento, já citado em um antigo post meu, sobre o RDesign Ceará, realizado em outubro do ano passado. O questionamento levantado é sobre os encontristas que não entendem o evento e passam o tempo todo reclamando de tudo. De tudo MESMO!

Bom, antes que alguém tome como pessoal e venha chorar pro meu lado, explico logo: isso não é uma crítica a uma pessoa em especial. É basicamente uma tendência que vem acontecendo em eventos de Design nos últimos anos: a onda dos encontristas, geralmente de primeira viagem, que só fazem reclamar do evento, mesmo se tiver tudo ocorrendo bem, sem alagamentos, banheiros com água e alimentação de qualidade. Encontros de Estudantes de Design já ocorrem há 20 anos (enquanto muitos ainda ainda assistiam Xou da Xuxa, já tinha gente que discutia Design! Think about it!), sendo o mesmo formato repetido desde então.

Bom, isso não acontece somente por causa desses encontristas. Há mais coisas por trás que irei apontar abaixo:

“Leite com pêra e Ovomaltino”: É preciso raciocinar que conhecer uma cidade fora do seu estado, com direito a alojamento, uma refeição por dia (às vezes duas refeições), horas e horas de atividades complementares que sua faculdade nunca conseguirá proporcionar em toda sua graduação e festas diárias a um valor módico não é algo que se vê em qualquer site de compra coletiva. Um Encontro de Estudantes de Design, como qualquer outro encontro de estudantes, é um evento que exige uma estrutura grande o suficiente para suportar milhares de pessoas pelo menor custo possível, além disso, tem elementos delicados, como alojamento e alimentação, que muitos congressos profissionais não provêm. Portanto, é bom enfatizar que um N ou um R oferecerá uma estrutura coerente ao valor pago: um espaço livre para montagem de barracas e/ou salas disponíveis para colchonetes, bem como banheiros e/ou vestiários para higiene pessoal.  Não se pode exigir uma estrutura de hotel ou albergue, com caminhas forradas e leitinho no café-da-manhã, né? Tanto é que os pacotes de alimentação e alojamento são vendidos à parte da inscrição para o evento.

Falta de preparo para os encontristas novatos: Isso é bem evidente que acontece. Os estudantes que encaram a rotina de um NDesign pela primeira vez não faz a mínima ideia de como ocorre o evento na prática, mesmo que encontristas mais rodados costumem falar das atividades e festas que rolam nesses encontros. De certa forma, é dificil imaginar como funciona toda essa dinâmica de um encontro pra quem nunca a vivenciou. Na minha opinião, deveria caber ao Centro Acadêmico ou até mesmo ao chefe de delegação reunir todos e explicar detalhadamente a estrutura de um NDesign ou RDesign.

Profissionalização dos eventos de design: Bom, pra quem é (bem mais) antigo, se lembra como eram realizadas as inscrições: com transferência bancária ou depósito na conta de algum membro da organização, para depois escanear o comprovante na casa de algum amigo e enviar pro e-mail da organização. Pura nostalgia, heim? Pois é… hoje em dia, as organizações contam com sistema de inscrições melhores que muito congresso científico por aí. Os eventos já contam também com terceirização de serviços diversos, apoio de pequenas e médias empresas e até mesmo com incentivos públicos (como a Lei Rouanet, por exemplo). Poderia listar uma série de transformações em torno dos encontros de Design, mas como nosso tempo é curto, vamos ao ponto: pra quem vê de fora, sem conhecer in loco o formato do evento, acredita que está participado de um evento no molde da Campus Party ou um TMDG, por exemplo, e isso acaba agregando uma imagem que distorce a proposta original de um NDesign ou de uma regional (não que um N ou um R sejam eventos amadores). Mas é válido lapidar essa imagem, mostrando que é possível construir um evento de porte profissional, de estudantes para estudantes.

Para encerrar, sugiro enfaticamente aos encontristas que irão ao RDesign pela primeira vez que conversem com a turma veterana, além de pesquisar em redes sociais sobre eventos anteriores, pra sentir melhor o feeling da coisa. E pra ajudar a vida de vocês, seguem abaixo uns vídeos de eventos antigos.

UPDATE!

Sabia que tinha esquecido de alguma coisa, pessoal. Perdões!

Repentina NDesign Imersão 2010

Huya! no NDesign Rio 2011

Ônibus para festa no NDesign Pernambuco 2009

Tags:, , , , ,

Categorias design, encontros, especial, Opinião, polêmica, Universidade

Subscrever

Subscribe to our RSS feed and social profiles to receive updates.

13 Comentários em “POLÊMICA: Encontristas que não “entendem” os eventos”

  1. 08/11/2011 às 16:59 #

    “seguem abaixo uns vídeos de eventos antigos.” opa.. faltou.
    Mas concordo com essa ideia, as vezes o pessoal mais calouro não compreende muito o que está por vir quando está pra ir em um evento de design.
    é por isso que eu acho que sempre tem que ter as oficinas de “tradições do n design” hehe.

    • 08/11/2011 às 19:49 #

      concordo com você!!! seria uma boa ter essas oficinas, para não deixar perder um pouco da cultura do N, até no ônibus as pessoas cantam musicas diferentes…

  2. Mauro
    08/11/2011 às 17:00 #

    Lembro do meu primeiro alojamento em são Luiz… Nao era obriga ao nenhuma dar alojamento, nao tinha infra nenhuma… E foi animal. Essa geração teletubie menino de playground tem que parar de chorar por besteira e começar a ter experiências.

  3. 08/11/2011 às 17:12 #

    Nostalgia Pura depositar e escanear o comprovante Ed!!!

    Coloco mais uns pontinhos que complementam isso.

    1 Falta de vontade dos encontristas em se encontrar. Apesar de irem para um encontro, muitos não se deixam encontrar. Atitudes como andar com seus amigos de sempre, ficar horas na net 3g, ou trancado em sua barraca.

    2 Pior que andar sempre com seus amigos e participar das atividades todos juntos. Ir para uma oficina por que os amigos querem é o fim, no minimo o encontrista perdeu a chance de encontrar com novas pessoas. Isso vale para palestras de professores de sua faculdade, oficina do cara da sua faculdade…

    3 MEDO das outras pessoas.

    • 08/11/2011 às 19:19 #

      Engraçado, um evento que tem tanta cerveja, mulher inteligente e descolada, gente bacana e carismática, festas de qualidade e o melhor acordar respirando DESIGN! Ainda tem gente que encontra tempo parar reclamar.

      Tive o prazer de participar de 4 N’s e sei lá quantos R’s e não reclamei em nenhum, essa geração colorida ta muito fresca mesmo.

      Me lembro até hoje, quando veio um novato chorando por que tinha perdido os pinos da barraca! Da vontade de mandar se foder! acho que foi por isso que mandei ele se foder mesmo..enfim

      Menos Reclamação mais Ação
      Mais Criatividade e Pro-Atividade
      dessa galera que nova ai.

      Abraço!

    • 08/11/2011 às 23:42 #

      Pois é, as repentinas até trabalham essa interação entre estudantes de várias regiões diferentes, mas essa interação acaba ao final da atividade. Interação rola também durante as festas, mas pode ser só uma ficada e cada qual vai pro seu lado.

      Smartphones e 3G infelizmente tá matando a interação “ao vivo”. Até em bares, vejo o povo tudo calado, dando check in no Foursquare…

  4. Romildo Rocha
    08/11/2011 às 20:05 #

    Eu juro que esse texto falava de outra forma de entendimento dos encontros, tipo! O CONCEITO, o que ele vai te transmitir e te proporcionar esse tipo de coisa que ninguem fala! Alguem se pergunta pq é N IMERSAO? AONDE você pensa que vai? (…)

  5. 08/11/2011 às 21:33 #

    Não é só a nova geração que não entende o formato dos encontros de estudantes de design. Muitos não sabem aproveitar as oportunidades que proporciona, e ainda vivenciar as experiências que promove.

    Muitos encaram como uma colônia de férias ou uma forma de conhecer o Brasil a baixo custo. Na contra essas pessoas, mas não dá pra exigir certificado com as horas cheias no final do evento né?

    O ponto que o Romildo abordou é até mais importante na minha opinião. A proposta conceitual do evento e sua transposição para as atividades nem sempre é clara ou compreendida pelos participantes. O que dificulta a participação dessas pessoas nas atividades, podendo até causar a dispersão dos encontristas. É muito importante que a mensagem seja passada e o conhecimento transmitido.

    • 08/11/2011 às 23:48 #

      Romildo e Jaana, esse ponto é beeeem complexo, por que envolve o projeto e como cada comissão encaminhou seus projetos. Mas também tem eventos que respeitam isso, como foi o caso do R Floripa, cujo tema era “os cinco sentidos” e mantiveram isso ao selecionar oficinais mais experimentais.

      É um tema interessante, que cabe num novo post ;)

  6. Mari
    09/11/2011 às 13:08 #

    Concordo com a Jaana. E se o conceito não é compreendido e o público (que, querendo ou não, é esse..) dispersa cada vez mais, não é importante que CONDEs e CORDEs estejam mais atentas a trabalhar esse envolvimento nas próprias atividades? (Já que encontro não é feito só pra veterano, espero e sabido..) Todo encontro é um aprendizado. Se envolver, conhecer gente, compartilhar.. até isso o encontrista vai aprendendo em cada novo encontro. O problema de reclamar é outro: a falta de disposição pra aprender e se envolver. E isso acho que o Rafa abordou bem aí no texto.

  7. 17/11/2011 às 01:28 #

    Parabéns pelo post, Rafa! Realmente os problemas citados vem crescendo e acredito que se cada parte envolvida pensar sobre isso, com pequenas ações podem haver grandes mudanças. Aí entram não só os encontristas e organizadores, mas também entidades de base, líderes estudantis, chefes de delegação, e os veteranos em geral. Afinal, um dos pontos do encontro é unir e fazer parte da vida das pessoas, não só naqueles poucos e intensos dias da realização em si. Abs!

Trackbacks/Pingbacks

  1. Relembrando o Mês: Novembro « deixadenerdice - 30/11/2011

    [...] POLÊMICA: Encontristas que não “entendem” os eventos [...]

  2. Melhores de 2011: Você Escolhe! « deixadenerdice - 21/12/2011

    [...] TV por: Equipe do deixa O Guia dos Nerds das Galáxias – A Religiosidade em Star Wars por: Matt POLÊMICA: Encontristas que não “entendem” os eventos por: Rafa [...]

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 33 other followers